Alcibíades, ao menos, tinha razão.
Desde há alguns anos comecei a questionar a pertença portuguesa à NATO. Se alguma razão ainda vejo para a continuação nela, essa é o acesso facilitado a armas sofisticadas. Porém, é bom ter em conta que nos dias de hoje o nosso grau de acesso a essas armas é menor que o garantido a países extra-Nato, como o Japão e Israel, e que o dinheiro tudo pode comprar. Nos EUA, por exemplo, até a China e a Rússia adquirem tecnologias sensíveis; não apenas de maneira furtiva, mas também e sobretudo com o aval da Casa Branca.
No pós-guerra a razão para a pertença à NATO era a existência de um bloco comunista forte e pronto para a agressão. Isso assumia uma dimensão especial para nós pois os territórios ultramarinos eram um alvo designado pela estratégia de formação de movimentos de libertação nacional, prevista já nos anos 20.
Porém, todos sabemos o que se passou. A Índia atacou Portugal com a garantia secreta de que o Ocidente nada faria e aceitaria o facto consumado, e o nosso grande aliado, os EUA, foram instrumentalizados pelas elites socialistas e apoiaram a acção das corporações e das igrejas protestantes sob os auspícios do clã Rockefeller, levando à criação da UPA de Holden Roberto, mais tarde ele próprio alvo da perfídia ocidental. Portugal se viu retalhado, reduzido ao território europeu, e os portugueses extra-europeus foram submetidos a uma provação que custou a vida a cerca de três milhões deles.
Não por acaso, os quislings que serviram como agentes desses interesses discretos, falando a nobre linguagem da descolonização e da autodeterminação dos povos, que em verdade era assassinada antes de nascer de modo a facilitar a exploração desses territórios estratégicos pelo bloco comunista e pela corporações fabianas, exploração tão bem ilustrada em factos como a defesa das instalações da Gulf Oil em Angola por tropas cubanas(!), não perderam muito tempo para submeter Portugal ao poder centralizante de Bruxelas, transformando a mais antiga nação europeia numa feitoria de um poder colonizador verdadeiramente terrível.
A ameaça russo-chinesa continua a existir. Na verdade é mais séria do que nos anos da guerra fria, especialmente devido à intensificação da infiltração do Ocidente e à desproporção crescente do balanço nuclear e de armas biológicas e químicas em desfavor do Ocidente. Por outro lado, o islamismo também avança na Europa com a sua estratégia de repovoamento de longo prazo e ganha força em todo o mundo muçulmano.
E o que faz a NATO? Ataca os regimes aos quais o Ocidente deveria se aliar, cercando o bastião do Ocidente no Oriente, Israel, de inimigos que não hesitarão em lançar uma guerra de extermínio assim que as condições sejam propícias. Ao mesmo tempo que lança os regimes autoritários existentes para as mãos dos russos e chineses, como se pode verificar na Síria, o que conseguimos com isso, ao derrubar os ditadores instalados, é criar regimes que serão aliados naturais da Rússia e da China! Perdemos o controlo do canal de Suez e o golfo pérsico poderá ser facilmente fechado quando os islamistas decidirem que chegou a hora, e isso, nas condições económicas vigentes no Ocidente, será o tiro de misericórdia.
Na Jugoslávia também fizemos o jogo russo, que soube manipular a cupidez austríaca e alemã, e alienamos qualquer possibilidade de influenciar a Sérvia, conseguindo com isso a fundação de um estado islamista e mafioso nos Balcãs e, com a anexação da Eslovénia e da Croácia, a abertura de mais algumas portas de entrada para a influência comunista na totalitária união europeia.
Apesar de nem tudo correr como os russos e chineses desejam, afinal, o elemento fortuna está sempre presente na vida dos homens e das sociedades, a força demonstrada pelo plano de desinformação de longo prazo é incrível e não exageraria se dissesse que ele se tem revelado o mais bem executado e bem sucedido plano desse tipo alguma vez posto em prática, por larga margem. Com as elites que temos, a inacção é menos má que a acção, afinal, essa acaba por intensificar a desvantagem ocidental.
Agora, a meio da contagem regressiva para o ataque ocidental contra a Síria, até a Reuters, agência dos Rothschild, admitiu a realidade no caso de uma dessas intervenções, apesar de não tirar disso grandes conclusões para a acção futura:
O mesmo, não tenham dúvidas, se passará com o Iraque. No Afeganistão, segundo informações cada vez mais claras que estão a vazar para a imprensa, a China terá acesso a reservas gigantescas de minerais estratégicos e o bloco russo-chinês terá a chave para o domínio total do continente asiático, enquanto no Iraque conseguirá garantir uma posição mais forte que a do Ocidente, ou melhor, das suas corporações, na determinação dos preços do petróleo! Traduzindo isso de maneira simples, o Pacto de Xangai terá em mãos o poder para determinar o ritmo de desindustrialização do Ocidente, praticando uma política de diferenciação de preços que agradará os banqueiros e petroleiros ocidentais, contentes com uma fracção não desprezível do aumento do lucro da produção do crude. E não esqueçamos que quem possui o petróleo pode destruir qualquer moeda. Isso, especialmente quando lembramos das reservas crescentes de ouro em poder de russos e chineses e do estoque das dívidas ocidentais acumulado por esses dois países, e vários dos seus aliados, é uma arma terrível.
Cruzando essas informações com o conhecimento dos programas bélicos das nações do Pacto de Xangai, diria que a altura ideal para o ataque será 2025, mas a possibilidade que ele ocorra antes é gigantesca pois estou convicto que o que os russos e chineses dão a conhecer dos seus planos e cronogramas é uma falsa imagem que esconde algo ainda mais vasto. Se o que anunciam é já em si grandioso, isso indica que o que isso pretende esconder é gigantesco, e as revelações acerca de fábricas subterrâneas secretas na Sibéria apontam nessa direcção.
Assim, me pergunto se vale a pena continuar numa aliança suicida e chego à conclusão que não. Se o Ocidente for atacado e decidir se defender, deveremos lutar ao lado da nossa civilização, mas se decidir morrer, mais vale a neutralidade baseada na força e até a perseguição de objectivos estratégicos às custas das nações ocidentais contra as quais possuímos, ou não, pendências. O Atlântico Sul, por exemplo, está cheio de ilhas, e essa área é vital para a nossa defesa, tal e qual são os Pireneus e Ceuta. De certa maneira, é assim que o Japão, estou seguro, agirá, e a Coreia do Sul e Formosa seguirão o mesmo caminho.
Continuar na NATO não nos ajudará em nada, ou melhor, só prejudicará, pois o que conseguimos dentro dela é fazer inimigos sem obter nenhuma vantagem. E isso é mau não apenas porque a alinaça está a ser usada em desfavor do Ocidente, mas porque a falsa segurança que ela nos dá acaba por ser um grande incentivo à nossa perda de capacidades militares. De certa maneira, o que se passa connosco é um fenómeno análogo ao que se passou com as cidades gregas que fizeram parte da Liga de Delos, fenómeno esse que não teve nada de acidental, como se pode confirmar por uma leitura da biografia de Cymon escrita por Plutarco.
Segundo Plutarco, Cymon, líder do partido aristocrático ateniense, mostrou aos seus concidadãos que o interesse de Atenas era melhor servido por uma política que à primeira vista poderia passar por danosa no caso da exigência de auxílio militar aos seus aliados, que preferiam o pagar o equivalente aos barcos e soldados que deveriam enviar para as guerras em dinheiro, sobrecarregando militarmente Atenas. Cymon provou que isso era do interesse de Atenas, afinal, assim os seus aliados perderiam todas as suas capacidades militares e ficariam à mercê da força naval dessa, engrandecida pelo esforço e endurecida e preparada pelos combates. E foi isso mesmo que se passou.
Quando os aliados de Atenas sentiram finalmente que a liga se tornou uma camisa de força, já não podiam sair dela impunemente e só o erro da expedição à Sicília, mais do que a força de Esparta, do jugo ateniense.
Poderão muitos achar que sair da NATO é uma proposta exótica, mas a esses eu lembro que existe uma pequena nação bem sucedida na Europa que pratica uma política externa semelhante: a Suíça. Não por acaso é a nação do continente onde o povo possui mais liberdades e estas estão mais bem asseguradas. Portugal ainda por cima tem vantagens incríveis: uma ZEE gigantesca e com riquezas que fariam inveja a Creso, a ligação afectiva com as outras fracções do antigo império luso-brasileiro, a protecção divina e uma Casa Real.
Mas para pôr isso em prática será preciso tirar do poder os palermas que o monopolizaram. Essa gentinha ridícula nasceu para ser mandada e não para mandar e o demonstra pela pequenez dos seus interesses. Alguém pode levar a sério palermas que dedicam a sua vida a esse tipo de coisas?


